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Comunicado
Os portugueses têm sido bombardeados nos últimos tempos com números, justificações e comentários sobre o PEC – Programa de Estabilidade e Crescimento, que até às últimas eleições realizadas em Setembro, o Governo e a generalidade dos comentadores oficiais esconderam, refutaram e não hesitaram em atacar violentamente e acusar de catastrofista qualquer voz que não alinhasse pelo politicamente correcto.
Os que esconderam essa realidade ao país por razões exclusivamente
eleitorais, apresentam-se agora como os únicos que pensam nos interesses
nacionais e que as suas propostas são as melhores, se não as únicas,
para salvar Portugal do plano inclinado em que vem mergulhando desde
1995.
Não há um governante, não há um comentador político que tenha a
honestidade intelectual de ter uma palavra de “mea culpa”, de assumir
que intencional e deliberadamente mentiu aos Portugueses. Pelo
contrário, quem os ouve até parece que os culpados são os portugueses
que trabalham honestamente e ganham algumas centenas de euros mensais ou
as forças políticas da oposição.
É neste quadro, de total falta de transparência e de decoro político,
que o governo apresenta um PEC injusto e que vai agravar os atrasos que
bloqueiam o país, usando os mesmos meios de propaganda (que usou antes
das eleições para esconder a realidade aos portugueses), para
condicionar e amarrar às suas políticas os partidos da oposição, que
denunciaram as políticas socialistas e que por elas não podem ser
responsabilizados, mas que só para evitar males maiores para Portugal e
para os portugueses poderão deixar passar semelhante documento.
O PEC não aponta um rumo que, aos sacrifícios de hoje, abra as portas da
esperança num Portugal mais capaz de enveredar por caminhos de
crescimento económico e de progresso social. O que o PEC transmite é
sacrifício, resignação e incerteza. Despreza as medidas de promoção do
crescimento, competitividade e emprego. Os TSD não se podem rever neste
PEC, porque acreditam nos trabalhadores, nos empresários e nos
portugueses em geral para vencer as dificuldades.
De facto, com este PEC:
1. A economia nacional vai continuar bloqueada e anémica;
2. Os contribuintes cumpridores vão passar a pagar mais impostos,
sobretudo as classes médias. Qualquer português que tenha um vencimento
mensal igual ou superior a 517 Euros, vai pagar mais impostos, o seu IRS
vai ser agravado. É imoral, que quem trabalha honradamente ou recebe uma pensão
naquele montante veja os seus impostos agravados, ao mesmo tempo que
aqueles que fugiram ao fisco e colocaram ilegalmente o dinheiro em
offshores vejam o eventual regresso desse dinheiro premiado com o
desagravamento de 5% na taxa fiscal e o delito amnistiado.
3. Os principais pilares que podem dinamizar o crescimento – o
consumo e o investimento – são sufocados. Enquanto isso, o Estado não
faz qualquer esforço de contenção na despesa, continuando com as más
práticas agravando a dívida pública e não dando qualquer sinal ao país
de que pretende encontrar verdadeiras soluções para a crise, antes
preferindo continuar a sacrificar sempre os mesmos.
4. Os funcionários públicos vão ter os seus salários degradados e
congelados e os aposentados têm a mesma sorte.
5. As prestações sociais, todas elas e até o Abono de Família, vão
sofrer restrições.
6. O desemprego vai manter-se em taxas elevadas, com anunciados
cortes no subsídio de desemprego, empurrando muitas mais famílias para a
situação de pobreza e exclusão.
7. Os portugueses emigram. Mas, ao contrário das décadas de 1960/70,
são agora os nossos jovens licenciados que procuram outros países,
deixando Portugal mais pobre.
8. As desigualdades sociais em Portugal, o País da União Europeia
onde são mais gritantes, vão acentuar-se.
9. Os gestores públicos, que ganham dezenas ou centenas de milhares
de euros mensais, continuam a auto-premiarem-se com montantes imorais,
quando os portugueses fazem os maiores sacrifícios.
10. E as privatizações anunciadas não obedecem a qualquer estratégia
de fundo, que vise melhorar o comportamento da economia ou o equilíbrio
das finanças públicas de forma duradoura, antes são uma decisão política
inserida numa operação financeira para entregar a grupos privados
aquilo que no Estado é rentável e que é público em qualquer País europeu
nosso parceiro.
É este PEC que o PS e o seu governo apresentaram com roupagens de
“preocupações sociais”, mas que até Setembro passado nunca fizeram
qualquer referência a esta situação caótica das finanças públicas e de
endividamento externo.
Os TSD, embora percebendo que a situação a que Portugal chegou
impõe medidas corajosas e suportadas por todos, não podem silenciar a
sua indignação com estas políticas que sacrificam essencialmente as
classes médias e os mais fracos e que demonstram à saciedade que as
eleições de Setembro passado representaram a maior fraude política do
regime democrático português.
Lisboa, 22 de Março de 2010.
O Secretariado Executivo
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